quarta-feira, 16 de maio de 2012

SOMATIC EXPERIENCING



Fonte: FOLHA ONLINE
16/05/2012 - 08h00
http://folha.com/no1090353

Psicólogo americano usa terapia corporal para curar traumas

IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO
O psicólogo e biofísico Peter Levine, 70, é o autor do best-seller "O Despertar do Tigre" (Summus, R$ 59,30, 240 págs.), em que descreve como funciona a "experiência somática", uma terapia corporal específica para estresse pós-traumático.
Seu método se baseia em estudos de neurologia e fisiologia e na observação dos instintos de defesa dos animais.
Na experiência somática a pessoa aprende a reconhecer os sinais corporais do trauma. O foco é deixar o corpo completar as reações disparadas por seus mecanismos de defesa -simplificadamente, lutar ou fugir.
Durante a sessão, o paciente realiza as ações que deixou de fazer ao ficar paralisado pelo choque traumático, como correr ou gritar. Só assim é possível quebrar o ciclo neuromotor que o faz responder como se estivesse permanentemente em perigo, segundo Levine.
Ele deu a entrevista à Folha no início deste mês, quando veio ao Brasil para participar de um congresso da Sociedade Brasileira do Trauma e lançar seu novo livro, "Uma Voz sem Palavras" (Summus, R$ 81,90, 328 págs.).
*
Folha - Como o sr. define o estresse pós-traumático?
Peter Levine - Ficamos traumatizados quando nos vemos totalmente desamparados e impotentes para nos defendermos de um perigo. Isso leva o cérebro, o sistema nervoso e o corpo a um estado particular. Se não compreendemos as mudanças físicas que ocorreram, ficamos congelados nesse estado.
É essa compreensão que ajuda a superar o trauma?
Não, isso é só o começo. As pessoas costumam pensar que tudo o que você tem que fazer é falar sobre o seu trauma, mas o que realmente ajuda é quando você é capaz de ter novas experiências físicas que contradigam a sua reação na situação traumática.
Isso é a experiência somática?
É uma metodologia que permite que as pessoas recriem a sensação de segurança em seus corpos. Esse é o truque: talvez seja possível mudar seu pensamento com terapias verbais, mas os sintomas físicos não mudam enquanto uma nova experiência corporal não é criada.
Remédios ajudam a tratar o estresse pós-traumático?
Alguns remédios podem ajudar, mas não criam mudanças permanentes. Drogas como a benzodiazepina (de tranquilizantes como Valium e Rivotril) atrapalham, porque têm efeito sedativo que dificulta a percepção das reações corporais.
A experiência somática é um tratamento demorado?
Não. Se o trauma foi causado por algo como um acidente de carro, o tratamento pode ser feito em até duas semanas. Para traumas mais profundos pode durar um ano ou dois. Mas nunca é um processo interminável.

Editoria de Arte/Folhapress

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Hoje

Hoje
acordei
precisando
de
chorar                        e



chorei.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mais uma vez

Falta-me o ar

Faltam-me o entendimento e a vontade

Fazer de cada suspiro um ponto de apoio

de cada apoio mais um dia

Fazer de cada sorriso um motivo a ser encontrado

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Roger Woolger

Em homenagem, em prece, em respeito, e em agradecimento a uma pessoa especial 
em minha vida e na de muitas pessoas:
 Obrigado Roger Woolger.







Tributo ao Dr. Roger Woolger, PhD
Por Dr. Andrew Powell 2012/02/23, London


Roger Woolger
18 de dezembro, 1944 - 18 nov 2011

Quando fui perguntado se poderia oferecer minha contribuição a essa Ação de Graças pela vida e obra de Roger Woolger, respondi que me sentiria honrado em fazê-lo, mas ressaltei que não fiz parte de seu círculo íntimo. Não fui treinado por ele formalmente e há muitas coisas que não sei sobre sua história pessoal. Foi só durante sua última doença que conheci mais alguns membros desse círculo interno internacional, naturalmente, assim como duas de suas filhas, Kachina e Elysha. Talvez isso me dê a vantagem de ter um certo grau de objetividade ao destacar muitas das realizações de Roger como um amigo querido e colega no campo da espiritualidade e saúde mental.
No entanto, de certa forma, senti que conhecia bem Roger, como acho que ele também me conhecia, e havia uma forte afinidade entre nós. Nossos caminhos se cruzaram várias vezes ao longo dos anos desde o primeiro seminário de Roger do qual participei, "Vidas Passadas", e que eu assisti em Runnings Park, há mais de 20 anos. Posteriormente, Roger guiou-me através de várias sessões do trabalho que, mais tarde, preferia chamar de Dramas da Alma. Psicoterapeutas são cautelosos para confiar em outros terapeutas, às vezes por boas razões, mas sempre me senti seguro e em mãos muito experientes com Roger.
Profissionalmente compartilhávamos a mesma visão ao buscar uma integração de corpo, mente, alma e espírito que fosse indutora de saúde em um mundo que tantas vezes se comporta mais como uma criança doente do que como um adulto saudável. Minha experiência clínica em medicina e psiquiatria deram-me um ponto de partida. Os treinamentos de Roger, mais esotéricos, alquímicos e excêntricos para as correntes que hoje predominam, deram-lhe outro. No entanto, estávamos olhando para o mesmo. Lembro-me claramente da poderosa palestra ministrada por Roger quando o convidei a falar para o Royal College of Psychiatrists, em 2004: "Além da Morte: A Transição e A Vida Após a Morte", um tema que muitos de nós continuam a explorar, como ocorreu no último sábado na conferência "Vendo Através do Véu", realizada sob os auspícios do Instituto Woolger.
Em uma cena de Amadeus, a peça de Peter Shaffer sobre a vida de Mozart, há um monólogo de Salieri, o compositor da corte perturbado e lamentando sua sorte ao se comparar com Mozart. "Por que", indaga ele, "quando escrevo música faço com que as coisas grandes tornem-se pequenas e, quando Mozart escreve música, ele faz com que pequenas coisas tornem-se grandes?"
Roger tinha o dom de tornar as pequenas coisas grandes - coisas pequenas no sentido de que outros não conseguiam ver importância no que tinha sido dito, assim como de captar o profundo significado de uma palavra escrita ou de um poema, ou de perceber a pequena estátua da Madonna em uma alcova. Roger tinha um maravilhoso senso do contexto, do entrelaçamento de lugares, tempos e eventos e de como isso sustenta e reflete o drama humano. Suas palestras eram excelentes, sempre claras, fluentes e impressionantemente eruditas, mas sem nunca serem pretensiosas. Lembro-me, como um magnífico exemplo, de sua palestra sobre C.G. Jung "Em Busca da Alma e do Cristo Oculto", em 2008.
Roger já tinha formações em Filosofia, Psicologia e Religião pela Universidade de Oxford e Londres antes de ir para Zurique treinar como analista no Instituto C.G. Jung. Após a publicação de "As Várias Vidas da Alma", em 1987, ele emergiu como um verdadeiro pioneiro da psicologia transpessoal, reunindo de forma única seu conhecimento dos arquétipos e do inconsciente, do psicodrama, da terapia de vidas passadas, do caminho do xamã e da terapia dos estados traumáticos. Juntava-se a isso sua absorção profunda do mito da Deusa e da ferida da psique feminina, que ele articulou pela primeira vez em "A Deusa Interior", publicado em 1989. Ainda tínhamos a visão poética e literária de longo alcance de Roger, seu conhecimento e amor pelo Sufismo, a relação profunda com o Budismo Tibetano e com os místicos ocidentais, além de sua compreensão enciclopédica da história e cultura da Europa, incluindo a lenda do Graal, a cruzada contra os cátaros e sem esquecer a Madona Negra.
Roger gostava de compartilhar seu vasto conhecimento e o fez muito generosamente ao guiar muitas excursões pelo exterior. Sua erudição evidenciou-se em suas aulas no Vassar College, na Universidade de Vermont e da Universidade Concordia, em Montreal. Uma outra pessoa poderia ter sido tentada pelos elogios da vida acadêmica, mas Roger vivia no mundo real da humanidade, labuta, suor e lágrimas, profundamente comovido pela história humana de escravidão e sofrimento e determinado a fazer tudo o que podia para aliviar este imenso peso cármico através de seu trabalho de Resgate da Alma. Nos últimos anos, isto o levou para a América do Sul com sua própria história de violência e opressão. Ele não poupou a si mesmo e realmente perguntava em voz alta se não tinha se tornado suscetível a uma doença por ter se esquecido de sua própria vulnerabilidade.
No entanto, Roger só poderia viver do jeito que viveu, totalmente envolvido com a vida, um caminhante místico com sua maneira pessoal e em sua época, abrindo uma trilha, a despeito das convenções, que intimida as almas mais temerosas. Sempre individualista, mas nunca distante. Não devemos nos esquecer do brilho malicioso em seus olhos, da simpatia de seu sorriso, do calor de sua saudação e do humor e leveza de seu contato, que fazia as pessoas se sentirem à vontade com ele e com elas mesmas.
Quanto ao legado que Roger deixa, não acho que ainda conhecemos seu comprimento e sua largura. Um grande número de psicoterapeutas foram treinados ou grandemente influenciados por Roger e espero, sinceramente, que sua influência sobre o ambiente dos cuidados com a saúde continuem a crescer. Ele deixa um instituto de treinamento que encara a perda de seu fundador - algo que toda a instituição que se preze tem de fazer, mais cedo ou mais tarde. Mas, além disso, revelando e valorizando o numinoso na vida de todos os dias, Roger esteve na vanguarda daqueles que pensam profundamente, almas aventureiras que desempenham um papel crucial na evolução da consciência, tão urgentemente necessária neste momento.
Para liderar, como Roger fez, requer não só grande conhecimento, compreensão e amplitude de visão. É preciso dedicação inabalável para a melhoria da alma da humanidade - trata-se, em suma, de um trabalho de uma vida. O repentino colapso da saúde de Roger foi um enorme choque para ele e para nós, seus amigos e colegas. No início, ele lutou como deve lutar um homem quando vê que ainda há muita vida a ser vivida e trabalho a ser feito pois, embora Roger fosse um atento observador da vida, tampouco deixava de ser um protagonista que vivia no centro do palco, o que ele apreciava. Depois, ao enfraquecer, com o apoio amoroso de sua família e do círculo de pessoas íntimas, ele se encontrou, de coração aberto, com a paz e aceitação.
Roger que como terapeuta tinha guiado tantas pessoas para recordarem o término de suas vidas, conduzindo-as para além da morte corporal até novas paisagens, que traziam cura para a alma, teve agora que percorrer o seu próprio caminho deste mundo até o outro. Sentimos sua falta e estamos de luto mas, também, celebramos a riqueza de uma vida vivida plenamente, cheia até a borda, sabendo que sua vocação em servir os outros, tanto os daqui como os em espírito. Isso lhe assegura um futuro luminoso. Roger, nós o saudamos, nós te agradecemos por ter estado conosco durante estes anos preciosos e eu - posso dizer nós? - esperamos renovar nossa amizade com você quando for nossa vez de fazer nossa viagem para casa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul

Quando olho para as estrelas e quando olho para dentro de mim
percebo como tudo é grande, vasto e profundo ...
e como o significado das coisas é
um grande detalhe importante e relativo
a alguma coisa que talvez ainda não
conhecemos

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Antes que seja tarde

Diga o que pensa


Diga o que sente


Diga o que é importante


Diga o que gostaria de ouvir


Diga o que importa


para que você fique bem em relação ao seu coração...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Você ainda pode mudar alguma coisa na sua vida?

video

Ric Elias tinha um assento na primeira fila no vôo 1549, o avião que pousou no rio Hudson, em Nova York em Janeiro de 2009.
O que passou pela sua mente quando o avião desceu desgovernado?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma palavra

Cobraram-me a ausência.
Cobraram-me uma palavra
E se um gesto vale por mil palavras
a falta de postagens vale por mil postagens?

Resumindo: eu e o blog continuamos muito vivos
só não estamos nos encontrando com a mesma frequência de antes .


Estou indo fazer um workshop sobre cura ancestral lá na Bahia e volto com tudo em seguida.









09/04/2012 Sobre a foto que usei: glad you liked my photo with the fallen angel... but it would have been nice to credit me as the photographer for the photo. Not sure where you got it from, but one place where I shared it is here: http://www.fotocommunity.de/pc/pc/extra/egallery/pcat/44463/display/4357544

regards ~ Rike

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Torradas queimadas...

"Vá em paz!"




"A felicidade é
um bem que se multiplica ao ser dividido"
(Marxwell Maltz)


TORRADAS QUEIMADAS
  

"Quando eu ainda era um menino, minha mãe, ocasionalmente, gostava de preparar um lanche, na hora do jantar.
Eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia muito duro de trabalho .
Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai.
Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.
E eu nunca esquecerei o que ele disse:

" - Amor, eu adorei a torrada queimada... só porque veio de suas mãos"

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.
Ele me envolveu em seus braços e disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada...
Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém.
A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas.
Eu, também, não sou o melhor marido,
empregado,
ou cozinheiro,
talvez nem o melhor pai,
mesmo que tente, todos os dias!
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro.

Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando,
ela não sabe usar a furadeira, mas, após minhas reformas, faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo.
Eu não sei fazer uma lasanha de frios como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu.
Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar e brincávamos juntos durante este tempinho, com sua mãe você chorava, pelo xampu, pelo pentear, etc.

A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apóia,
eu e ela nos completamos
Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes.
Não que mais tarde, no dia que um partir, este mundo vá desmoronar,
não vai:
novamente, teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.


De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então, filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida à você e ao próximo.


Penso que, o grande problema do mundo atual e globalizado, é a intolerância pelo ser e o correr incansável pelo ter!

Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio.
Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração dele; você apreciará o calor de cada alma, incluindo a sua.

As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse.
Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez sentirem-se.


Precisamos exercitar nossa tolerância,
.... não é nada fácil, mas sempre podemos tentar




sexta-feira, 13 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O impacto do pai

Recebi este vídeo também de uma lista de discussão. A chamada de quem o postou era: "Pais e mães, vejam este vídeo!!! " 

Você pode ver, ouvir, aprender e se emocionar.

ou 

Você pode se emocionar...



terça-feira, 19 de abril de 2011

Fútil

Do dicionário HOUAISS:



crença
n substantivo feminino
ato ou efeito de crer
1    estado ou processo mental de quem acredita em pessoa ou coisa
Ex.: revela uma grande c.
1.1    atitude de quem se persuadiu de algo pelos caracteres de verdade que ali encontrou
Ex.:
2    fé, em termos religiosos
Ex.: tem uma c. inabalável na Santíssima Trindade
3    mito ou doutrina religiosa ou mística (mais us. no pl.)
Ex.: grassavam ali muitas c. obscuras
4    convicção profunda e sem justificativas racionais em qualquer pessoa ou coisa
Ex.: em todos os momentos, sua c. no partido não esmoreceu
5    opinião manifesta com fé e grande segurança
Ex.: nossa c., afinal, é de que todos serão recompensados
6    Derivação: por metonímia.
     aquilo ou aquele em que se crê; o objeto ou alvo de uma crença
Ex.: ela era seu mito, sua c.
7    Regionalismo: Portugal. Uso: informal.
     atração ou inclinação amorosa por alguém
8    Regionalismo: Portugal. Uso: informal.
     falta de confiança; suspeição
9    Rubrica: filosofia.
     no pensamento medieval, fé religiosa, convicção na doutrina e nos ensinamento sagrados, freq. considerados compatíveis e coerentes com a reflexão racional
10    Rubrica: filosofia.
     no empirismo moderno, disposição meramente subjetiva a considerar algo certo ou verdadeiro, por força do hábito ou da vivacidade das impressões sensíveis
ªcrenças
n substantivo feminino plural
Diacronismo: antigo.
11    m.q. credencial ('título ou ato', 'documento')



valor
Cada um dos sentidos de uma palavraLocuções e/ou fraseologias
n substantivo masculino
1    recebimento ou paga em bens, serviços ou dinheiro por algo trocado
1.1    quantidade monetária equivalente a uma mercadoria, em função de sua capacidade de ser negociada no mercado; preço
Ex.: pagou em prestações o v. do eletrodoméstico
2    preço alto, elevado
Ex.: pedra preciosa de v.
3    Rubrica: economia.
     qualidade que confere a um objeto material a natureza de bem econômico, em decorrência de satisfazer necessidades humanas e ser trocável por outros bens
4    Rubrica: economia.
     medida variável de importância que se atribui a um objeto ou serviço necessário aos desígnios humanos e que, embora condicione o seu preço monetário, freq. não lhe é idêntico
5    determinação quantitativa obtida através de cálculo ou mensuração; número, dígito
Ex.: o v. obtido em uma multiplicação
6    qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito
Ex.: o v. daquele cientista é inestimável
6.1    ausência completa de medo; valentia, coragem, intrepidez
Ex.: guerreou com impressionante v.
6.2    qualidade excepcional; talento, habilidade, mestria
Ex.: um artista de v.
6.3    resignação heróica; paciência
Ex.: só homens de v. conseguem suportar tais privações
7    capacidade de satisfazer necessidades; utilidade, préstimo, serventia
Ex.: a tradução simultânea foi de grande v. para a audiência
8    qualidade do que apresenta validade, do que é legítimo, válido, veraz
Ex.: sua palavra tem v.
9    qualidade do que alcança a excelência, do que obtém primazia ou dignidade superior
Ex.: v. de uma condecoração
10    importância, destaque em uma escala comparativa
Ex.: no esporte, o v. da disciplina supera o do talento
10.1    importância estabelecida de maneira puramente arbitrária, através de convenção preestabelecida
Ex.: o v. de uma trinca no jogo de pôquer
11    reconhecimento, de um ponto de vista afetivo, da importância ou da necessidade (de algo ou alguém)
Ex.: ele não dá v. aos amigos que possui
12    Derivação: por extensão de sentido.
     conjunto de traços culturais, ideológicos ou institucionais, definidos de maneira sistemática ou em sua coerência interna
Ex.: valores da família, da tradição, da vida militar
13    Rubrica: artes pásticas.
     grau de intensidade luminosa de uma cor, em escala de tonalidades que vai do branco ao preto
14    Rubrica: economia.
     poder aquisitivo variável (de uma moeda nacional, uma ação, um título etc.)
Ex.: houve um crescimento do v. daquelas ações
15    Rubrica: economia.
     papel estampado, com valor financeiro representativo (papel-moeda, letra de câmbio, ação, título etc.) [mais us. no pl.]
Ex.: uma carteira cheia de valores
16    Rubrica: ética.
     conjunto de princípios ou normas que, por corporificar um ideal de perfeição ou plenitude moral, deve ser buscado pelos seres humanos
17    Rubrica: ética.
     no pensamento moderno de tendência relativista, cada um dos preceitos ou princípios igualmente passíveis de guiar a ação humana, na suposição da existência de uma pluralidade incontornável de padrões éticos e da ausência de um Bem absoluto ou universalmente válido
18    Rubrica: termo jurídico.
     força que tem um ato jurídico de produzir determinado efeito
19    Rubrica: lingüística.
     segundo Ferdinand de Saussure (1857-1913), o conjunto de relações e oposições que determinam o papel das unidades da língua no sistema lingüístico, independentemente da substância que lhes serve de suporte [Assim, temos o fonema/t/ cujo valor no português é o de opor palavras distinguindo tapa e papa, tia e pia, p. ex., apesar da diferença fonética existente entre [t] em tapa e [tch] em tia em certos dialetos.]
20    Rubrica: música.
     tempo relativo de duração de uma nota musical (valor positivo) ou de uma pausa (valor negativo)
Ex.:
21    Rubrica: música.
     a relação de uma figura de duração com outras
ªvalores
n substantivo masculino plural
22    (1899)
     classificações apreciativas dos resultados obtidos por aluno ou candidato através dos resultados de trabalhos escolares, testes, provas, avaliações etc.
23    bens, haveres, riquezas
Ex.: a mansão guardava incontáveis v.



fútil
n adjetivo e substantivo de dois gêneros
1    que ou o que não tem importância ou mérito; inútil, superficial
2    que ou o que tem aspecto enganador, não inspira confiança, não tem constância; frívolo, leviano
Ex.: atitudes, gestos f.
n adjetivo de dois gêneros
3    que não tem valor; insignificante
Ex.: pretextos f., razões f.
4    que não tem fundamento, profundidade; tolo, pueril
Ex.: não conseguiu amadurecer seu projeto, acabou descartando-o por f. 



futilidade
n substantivo feminino
1    qualidade ou caráter de fútil
Ex.: pouco faz e sabe, somente se distrai com f.
2    coisa sem valor, pequena; insignificância, ninharia
Ex.: o culto à aparência física é uma das f. dos tempos atuais 


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL 2010

Um feliz natal e próspero ano novo é o que desejo a todos que passam por aqui de vez em quando . E também desejo um  feliz natal para todos que já foram tocados pela força da fé.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

"De quantas coisas eu não preciso para ser feliz..."

Andei sumido. Não só do blog, mas talvez de mim mesmo. Mas voltei. Como eu já "disse" no primeiro post  do blog: "Há que se olhar para as próprias profundezas".
Enquanto isso vamos como de costume postando coisas de quem já aprendeu a mexer conosco. Este aqui recebi hoje em uma lista de discussão. Achei muito bom. Espero que gostem.
Observação: Mudei o layout do blog e esta postagem ficou estranha e fora do padrão do blog. Não consegui mudar. Mas vale mesmo é o conteúdo. Então ela fica. 06/02/2001.






De quantas coisas eu não preciso para ser feliz...

 Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.  Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
 
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!
Estamos construindo super-homens e super  mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados.
 
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa? 
 
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
 
A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se  apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,  usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
 
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental  três requisitos são indispensáveis: amizades,  autoestima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
 
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald...
 
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

 "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

(Frei Betto)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

"O que é aquilo?"

Para certas lições, certas aprendizagens, certas vivências, as palavras são pouco ou insuficientes para traduzir ou contar...

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

"A internet está errada" - Jaron Lanier, o criador do termo "realidade virtual", teme o "maoísmo digital" e critica o modo como funcionam as redes sociais

A internet é maravilhosa e perigosa. Os dois adjetivos lhe cabem muito bem e vale lembrar que tanto no princípio quanto no fim da cadeia ou da idéia sobre a internet estão no mínimo duas pessoas.  O que caracteriza um tipo ou forma de relação. Qualquer pensamento que ajude a extrapolar sobre a internet vale a pena.


"A internet está errada"

Jaron Lanier, o criador do termo "realidade virtual", teme o "maoísmo digital" e critica o modo como funcionam as redes sociais

Jones Rossi

O músico e tecnólogo americano Jaron Lanier O músico e tecnólogo americano Jaron Lanier (Divulgação)
Aos 50 anos recém-completados, o americano Jaron Lanier pode parecer alguém que assistiu a Matrix e O Exterminador do Futuro mais vezes do que deveria. Por suas ideias sobre a internet, contudo, a revista Time o elegeu, no começo do ano, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Lanier foi um dos pioneiros do Vale do Silício, onde hoje se concentram as maiores empresas de tecnologia do planeta. Na década de 80, ele fundou a VPL Research, primeira empresa a vender equipamentos que permitiam ao usuário “entrar” em mundos criados no computador. Cunhou a expressão “realidade virtual” para descrever a experiência. Lanier foi também um dos fundadores da Wired,  a mais importante revista sobre o mundo digital dos Estados Unidos. Recentemente, contudo, Lanier se tornou um dissidente em seu próprio meio. Seu novo livro, Gadget – Você Não É um Aplicativo (Saraiva), diz que as figuras mais brilhantes do Vale do Silício estão indo longe demais em sua valorização da tecnologia e sustenta que a internet pode conduzir a humanidade a uma espécie de “maoísmo digital”. Por telefone, ele falou com a reportagem de VEJA.

O que há de errado com a internet? Primeiramente, gostaria de dizer que sou totalmente a favor da tecnologia. Ela deu opções à humanidade para se aperfeiçoar, para se tornar melhor. Por causa das minhas críticas, frequentemente as pessoas cometem o erro de achar que eu me voltei contra a internet, o que não é verdade. Minha questão é outra. Toda nova tecnologia é também uma espécie de declaração filosófica sobre o que pensamos ser importante na vida. Todo design tecnológico traz dentro de si uma filosofia. Por exemplo, quando olharmos para um carro moderno, ele nos diz que eficiência é um valor essencial, mas também que conforto é importante, que segurança é importante, que essas são coisas pelos quais vale a pena lutar. Da mesma maneira, softwares e aplicativos têm um modo de encarar o mundo embutido em seus respectivos designs. Eles possibilitam um certo tipo de experiência, enquanto deixam outras vivências de lado. Cinquenta anos atrás, quando as primeiras ideais sobre uma rede mundial de computadores começaram a circular, vários modelos de “internet” – entre aspas, porque a palavra usada nem era essa – competiam. Venceu um modelo que, na minha opinião, está longe de ser o melhor. Há vários motivos para esmiuçar, mas, se tivesse de resumir a ideia numa fórmula, diria que o perigo é sermos conduzidos para uma espécie de maoísmo digital.


Qual modelo de rede deveria ter prevalecido? Eu proponho um retorno à ideia original de internet, que remonta à década de 1960. O primeiro esboço sobre a construção de uma rede mundial de computadores foi escrito em 1965 por Ted Nelson, um dos pioneiros da tecnologia da informação. O projeto tinha um nome diferente, Xanadu. A proposta era de que cada pessoa fosse capaz de pôr coisas na rede e saber quem usou seu conteúdo, ganhando dinheiro com isso. Numa rede estruturada dessa forma, surge um tipo diferente de interação. Ao contrário do que ocorre na internet atual, não existe a ideia de que tudo é de graça, de que tudo está disponível. O ponto de partida é diferente, e inclui as ideias de responsabilidade e confiança, sem as quais nenhum tipo de relacionamento verdadeiro é possível, seja ele de ordem pessoal ou econômica – como quando dizemos que sem confiança não se fecham negócios.
 
É possível aproximar a internet atual desse modelo? No momento, o único jeito de melhorar a internet é criando punição. Se você for mau com as pessoas, se infectar os computadores alheios, terá o acesso cortado, será processado, enfim, vai sofrer algum tipo de pena. Mas você não pode criar uma sociedade apenas baseada no castigo, as pessoas precisam ter algum tipo de benefício. Se você tem uma sociedade na qual a única maneira de modificar o comportamento das pessoas é por meio da punição, então você vai criar uma sociedade negativa, com um traço autoritário. Uma boa sociedade é aquele em que as pessoas buscam benefícios por meio da colaboração, em que participar dessa sociedade faz bem a você. O problema com a internet que temos é que ela não faz coisas boas o suficiente pelas pessoas. Sim, ela é divertida, ajuda a arrumar namoro, mas deveria ser capaz de, em uma sociedade capitalista, ajudar a fazer dinheiro a partir dela.


Não há um monte de gente ganhando dinheiro com a internet? Não, na verdade há bem pouca gente. Hoje, a maior parte do dinheiro na internet vem da publicidade, e apenas uns poucos atores, como o Google, se beneficiam dele. Uma das coisas que acho terrivelmente irritantes é a ideia de que todos os artistas, músicos e escritores, de que todas as pessoas com algum talento, terão sucesso ao se promover na internet. Os casos de sucesso são raríssimos – e por sucesso quero dizer ganhar o bastante para sobreviver dessa atividade. Eu tentei arduamente achar músicos que se promoveram na internet e conseguiram se sustentar a partir dela e não passaram de cem, nos Estados Unidos. Eu pensei, quando comecei a procurar, que seriam milhares. Essa ideia é falsa, é uma grande ilusão. Não estou falando de músicos que já eram famosos antes, porque esses não contam, isso não vai ajudar a próxima geração. Chegamos a um momento em que precisamos aceitar isso, reconhecer que é uma bela ideia, mas simplesmente não funciona. Eu procurei por músicos porque eu pertenço à categoria, penso em música o tempo todo, mas isso se aplica a outras atividades também.
 
Em seu livro, o senhor propõe um sistema universal de micropagamentos. Como isso funcionaria? Há várias maneiras de fazer isso. Quanto pagaríamos por uma música, por exemplo? Isso ficaria a critério da pessoa que a criou. Se o músico desejar colocar na internet as músicas de graça porque ele acredita que elas vão promovê-lo, tudo bem. Se ele acredita que tem um número pequeno de fãs que são muito ricos e quiser cobrar alto, tudo bem. O ponto central da discussão é que o preço deve ficar a cargo de quem cria. Podemos imaginar uma sociedade em que não se vai mais pagar pelo acesso à internet, na qual isso vai se tornar um direito universal. Todo mundo terá uma só conta e, se escutar uma música, deverá pagar uma pequena quantia para o artista, mas, ao mesmo tempo, se alguém se assistir seu vídeo, se ler seu post, ler seu twitter, seja lá o que for, você também receberá uma quantia. Será uma forma de troca.


Esse sistema não vai contra o espírito livre da internet? Isso não tem nada a ver com liberdade. Livre não é sinônimo de grátis. Como eu disse, a ideia original da internet fazia dela uma espécie de mercado sem fronteiras. Foi nas décadas de 70 e 80 que surgiu a ideia de que tudo deveria ser grátis. Nessa época, as pessoas nos ambientes acadêmicos americanos tendiam a ser maoístas. Nas salas em que era discutida a internet do futuro eles entravam gritando “o dinheiro é mau”. Muitos dos pioneiros da internet nutriam fantasias comunistas. O resultado foi o pior dos dois modelos: vivemos em um mundo capitalista, cujas recompensas não chegam a quem vive de seu cérebro e de seus talentos. Essencialmente, o que fizemos foi prejudicar as parcelas criadoras de nossa sociedade.


Como convencer as pessoas a pagar por algo que elas têm de graça, ainda que de forma ilegal? As pessoas tratam bem o seu vizinho porque querem ser bem tratadas por ele. O que estou querendo dizer é que a esperança não está em forçar as pessoas a pagar, mas em criar um mundo em que é melhor para todos pagar – e ser pago.


As redes sociais mostram a internet por um prisma mais positivo? Creio que não. Nesses programas, há uma redefinição das condições básicas da vida humana. Por exemplo, o conceito de estar conectado a outra pessoa é muito diferente daquele que observamos no mundo real. No mundo real, para ter um amigo é preciso um certo tipo de investimento. Leva tempo. No mundo da internet, você cria, de imediato, uma sensação de ligação. Não há nada errado com isso, pode ser divertido, desde que você não acredite que essa seja uma ligação real. Outra coisa: nas redes sociais, você cria uma versão simplificada de você mesmo para que o software possa entender: esse é o status do meu relacionamento, estes são meus interesses, este é o tipo de música que eu gosto. São informações simples que o computador pode entender, catalogar, processar. Mas é claro que nenhuma pessoa, a menos que seja um idiota, pode ser representada por essas definições. Elas são como uma caricatura. Enquanto uma pessoa lembra qual  a diferença entre essa versão simplificada e a realidade, não há nada de errado com isso. O problema é se com o uso, ao longo dos anos, você começa a ver a si mesmo de acordo com essa definição simplificada. É muito fácil neste mundo online, por exemplo, você começar a ser mais rude com as pessoas. A razão disso é que você não está mais reagindo a pessoas reais, mas a versões caricaturais de indivíduos. É fácil ser rude com um cartum. O que a maioria não sabe é que existe uma ideologia por trás desses programas – uma ideologia compartilhada por quase todos os engenheiros brilhantes que circulam pelos corredores das maiores empresas do Vale do Silício. Boa parte da comunidade tecnológica nutre a fantasia de que estamos a caminho de um futuro pós-humano – de que a internet é o embrião de um cérebro gigante a que todos estaremos conectados, como uma nova espécie definida pelo coletivo.


Isso não é ficção científica? Atualmente existe algo chamado Universidade da Singularidade, bem no meio do Vale do Silício. Ela é alimentada com dinheiro do Google, do Yahoo!, de outras instituições ricas e influentes. Lá, as pessoas obtêm seus diplomas absorvendo, precisamente, esses conceitos que eu mencionei. Esse ideario, que prepara o caminho para a vida artificial, vem se tornando popular. E hoje os tecnólogos têm tanta influência no mundo quanto os políticos ou os banqueiros. Se não tiverem mais.


Qual é a ideia central desse futuro pós-humano? A de que a experiência de estar vivo, de estar consciente, é algo que os computadores também podem experimentar. Basicamente, eles estão dizendo que não existe nada especial em relação aos seres humanos, que somos, na essência, robôs biológicos. É tudo muito interessante intelectualmente, mas creio que não olhamos a fundo as implicações desse modo de pensar. Eu acredito que um novo humanismo é necessário neste momento – um humanismo que se contraponha a esse modo de pensar. Eu prefiro celebrar o triunfo humano, não o das máquinas e da engenharia. Você pode pensar que isso é uma coisa muito simples de afirmar, que é muito banal. Mas no Vale do Silício, onde boa parte do pensamento mais avançado sobre tecnologia está em andamento, o que eu acabei de dizer causa irritação.


Como o senhor enxerga esse futuro? Volto à minha ideia do maoísmo digital. Na visão de quem acha que as máquinas são mais relevantes que as pessoas, o que importa é pôr tudo na internet, contribuir para esse cérebro global que deve ter prioridade sobre qualquer indivíduo – e, se preciso, expropriá-lo das suas criações. De forma muito esquisita, essa filosofia anti-humana tem ligações com o antigo pensamento comunista e dá à internet um desenho que, para mim, é um terrível engano.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

DESAPARECIDOS - uma esperança a mais




 Um atalho virtual para o reencontro


Como um banco de dados on-line, montado por um publicitário, tornou-se uma poderosa ferramenta para achar pessoas desaparecidas
LUCIANA VICÁRIA
Rogério Cassimiro
ENCONTRO
Mandis, no centro de Santos, no litoral paulista. Seu site ajudou a localizar 1.500 pessoas
  Reprodução
O publicitário santista Styliano Mandis Junior, de 35 anos, é uma espécie de anjo da guarda da internet. Criador do maior cadastro eletrônico de desaparecidos do país, ele tem sob seus cuidados o perfil de 26.017 brasileiros. Nele constam o nome, a cor dos olhos e onde cada um dos desaparecidos foi visto pela última vez. Mandis já se emocionou com a saga de mães à procura de seus filhos e com o relato de famílias que se perderam pelo país. São milhares de histórias em busca de um final feliz em desapareceu.org. Mandis tem registro de 1.500 pessoas localizadas por meio do site, mas estima que o número verdadeiro esteja em torno de 2 mil. “As pessoas são localizadas, mas não nos contam”, diz ele.
Há sete anos, quando criou o site, Mandis sabia pouco de programação, mas o suficiente, segundo ele, para criar um banco de dados público e gratuito de pessoas desaparecidas. Sua iniciativa foi uma resposta a outros sites que cobravam para publicar fotos de pessoas desaparecidas. “Fiquei inconformado e resolvi criar uma alternativa”, afirma. Correntes de e-mails passaram a divulgar o desapareceu.org. e, em pouco tempo, Mandis tinha em suas mãos o maior cadastro desse tipo do país.
As histórias de reencontro surgiram quase que instantaneamente. A brasileira Cleonice da Cunha, de 45 anos, que mora em Nova Jersey, nos Estados Unidos, localizou o pai, Eurides Pereira da Silva, de 74, em Rio Grande da Serra, região metropolitana de São Paulo. Eles não se viam havia 40 anos. O pai, um lavrador humilde, abandonou a mulher e os três filhos pequenos. As crianças viveram em um orfanato boa parte da vida. A mãe já morreu. Quando Eurides foi procurar as crianças, elas não estavam mais lá. Cleonice nunca desistiu de encontrá-lo. Prencheu um cadastro com os dados do pai no desapareceu.org e passou a receber ajuda de pessoas anônimas. As pistas chegavam por e-mail. O reencontro aconteceu há cinco anos.
Os “desaparecidos de Mandis”, como ficou conhecido o serviço, está cheio de relatos como o de Cleonice. São histórias de filhos adotivos em busca de pais biológicos e, principalmente, parentes perdidos pelo Brasil. Não são aqueles casos de rapto ou desaparecimento que vão parar na polícia. A empregada doméstica Ana Souza, de 42 anos, procura seus dois irmãos. “José foi trabalhar no Tocantins, Fátima se mudou com a patroa para Pernambuco”, diz. Com o tempo, acabou perdendo o contato. “Meus irmãos são os únicos parentes vivos.” Encontrá-los, para ela, seria resgatar o passado e dar sentido à vida. “Tenho fé que estaremos juntos um dia, toda a família”, afirma. Os irmãos de Ana são pardos como boa parte dos brasileiros, têm olhos e cabelos negros e nomes comuns. Não há fotos e poucas pistas de onde possam estar. “O trabalho fica mais difícil com informações tão restritas”, afirma Mandis. Mesmo assim, distritos policiais de cinco Estados brasileiros recomendam o desapareceu.org. “Além de sério, o cadastro do site é nacional. Vai mais longe do que a gente consegue chegar”, diz o delegado Paulo Torres, de Biritinga, interior da Bahia.
O sucesso do desapareceu.org se explica por duas razões. A primeira é sua simplicidade: basta preencher uma ficha com os dados da pessoa desaparecida e deixar um e-mail para contato. Há espaço para imagens, mas há poucas delas. As famílias dos desaparecidos em geral não têm fotos recentes. O cadastro fica on-line 24 horas e recebe mensagens. As pistas surgem dos internautas, gente que visita o site apenas por curiosidade. Mandis também tem a ajuda de voluntários que dedicam parte de seu tempo à busca de desaparecidos. “Eles vasculham redes sociais à procura de pistas”, diz Mandis.
A outra razão para o desapareceu.org ter dado certo é a forma como foi construído. Mandis deu a cada nome de sua lista de desaparecidos o status de palavra-chave no Google. Isso significa que, cada vez que alguém der busca por um desses nomes, será remetido rapidamente ao site desapareceu.org. É assim que pessoas que estão sendo procuradas (ou aqueles que as conhecem) estabelecem contato: digitam o nome na internet e o descobrem na lista de procurados.
O sucesso do desapareceu.org levou o publicitário a envolver-se com a internet. Mandis tem hoje 34 sites. São dez de ajuda social (.org) e outros 24 comerciais, que rendem pouco mais de R$ 2 mil por mês. Diz que a manutenção do desapareceu.org custa R$ 75 por mês. Sozinho, num quarto de seu apartamento, trabalha cerca de 12 horas por dia. Quatro telefones tocam, às vezes ao mesmo tempo. Recebe mais de 100 e-mails por dia de pessoas em busca de contato.
Mandis não tem desaparecidos na família. “Mas é como se tivesse”, diz. Inevitavelmente, se envolve com as histórias. “Sofro e vibro com eles.” Tranquilo, diverte-se em casa com seus peixes e sua cadela beagle Kelly, mas se revolta com falsos detetives que tentam tirar dinheiro das famílias de desaparecidos. “Fico louco”, afirma ele. Mandis foi cantor de rap na adolescência, mas agora se prepara para uma vida calma. Está de casamento marcado para o ano que vem. Quando pergunto sobre o impacto do site que ele criou, desconversa. “Fiz pouco, só criei uma ferramenta”, diz. Se todos fizessem pouco como ele, o mundo seria um lugar melhor. 

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